segunda-feira, 10 de abril de 2017

Silvio Santos é o último respiro da TV Aberta

Foto SBT

O último dos moicanos, ou melhor, dos platinados. Depois de Silvio Santos a TV aberta passará por uma metamorfose.
Silvio Santos é um marco na televisão brasileira, um homem que tem um carisma gigantesco e que tem um lugar reservado no coração de todo brasileiro.
Quem poderia manter uma audiência respeitável em pleno ano de 2017 fazendo as mesmas brincadeiras simples de décadas atrás?
O programa de Silvio Santos não é megalomaníaco, não tem inovações, não é apelativo, mas segue uma fórmula consagrada e mantida pelo mestre das comunicações há anos! Completar frases, adivinhar uma charada, ver um número de mágica, assistir uma pegadinha. São coisas absolutamente simples. Porém, com Silvio Santos ganham outro peso.
O nosso apresentador tem 86 anos e uma vitalidade enorme para estar no auditório. Silvio Santos é um patrimônio do povo brasileiro.
Já passou o comando da emissora para as filhas. Sabe que o tempo é carrasco, implacável.
Homem inteligente que é, planeja o futuro da empresa, dos funcionários.
Como todo fã, estou na torcida para que se mantenha firme por mais um bom tempo no ar.
E é isso que o mantém feliz. A relação com o público.
No dia que Silvio Santos partir, tenho certeza que o Brasil sentirá uma dor como nunca sentiu. Nem mesmo quando Ayrton Senna morreu. Será o fim de uma era.
Ouso a dizer que a TV aberta sofrerá seu maior impacto.
A nova geração não terá mais a fidelidade da atual. Será um tsunami.
Novelas terão seu fim decretado. Programas de auditório serão extintos do mapa. A programação a cada dia que passa fica mais segmentada. No youtube já é possível fazer a própria programação, no Netflix temos liberdade para escolher o que queremos ver a qualquer hora do dia. São outros tempos.
Sou da geração que sabia esperar. Precisava esperar. Agora, ninguém espera por nada. São muitas opções. Se a sua série terminou, temos mais 15 no cardápio, é só escolher.
Hoje, uma pessoa numa cidade remota pode criar um canal no youtube e se tornar um fenômeno. Muito melhor do que assistir a malhação.
A tecnologia está tomando conta e todos podem ter voz, não é preciso Concessão. Basta uma boa ideia e um smartphone.
Tempos modernos!

Stefan



domingo, 9 de abril de 2017

Tempo para quem quer tempo


Enquanto uns querem dormir, 
outros querem permanecer acordados diante da exuberância da vida. 
Diante da vastidão de conhecimento a ser adquirido,
num mundo cuja sensação do tempo voa cada vez mais depressa. 

O tempo é precioso e milimétrico para quem sabe utilizá-lo.
É entediante e demorado para os que não enxergam com clareza suas possibilidades. 

Para os que reclamam que a semana não passa, sinto muito. 
O importante é tornar cada dia mais interessante e profícuo. 
Aprender algo em todo amanhecer é objetivo de vida. 

Enquanto houver livros nunca haverá tédio. 
Troque a preguiça por uma boa leitura. 
A monotonia só existe para quem quer. 
Para quem desconhece os imortais da Literatura. 

Drummond, Saramago, Sartre, 
Garcia Marques, Machado de Assis, Cervantes,
Nietzche, Lispector, Tolkien,
Neruda, Quintana, Suassuna, 
tantos nomes, tantas histórias, tantos mundos. 

E há quem só deseje dormir por horas e horas...
Sono para quem quer sono, 
tempo para quem quer tempo. 

Stefan



sexta-feira, 7 de abril de 2017

Livre-se dos bajuladores


A adulação é a famosa arma dos bajuladores, 
que estão sempre concordando com tudo. 
Incapazes de fazer uso da verdade.
Não possuem opinião própria, nem caráter. 
Se escondem na penumbra da falsidade. 

Maquiavel dizia: "é com dificuldade que se defendem dessa peste; querendo-se evitá-la, há o perigo de se ser desconsiderado, pois não há outro modo de guardar-se da adulação, senão fazer com que os homens entendam não fazer-te ofensa por dizer a verdade";

A verdade atinge o ego das pobres almas orgulhosas,
que se fecham no próprio mundo ainda mais cerrado. 
Um mundo pequeno, que não evolui,
apenas segue um fluxo contínuo e entediante. 

Escravos do poder, do dinheiro, do emprego. 
O bajulado forma uma ponte invisível com o bajulador. 
Ambos fingem ser amigos, fingem ser verdadeiros. 
O elo invisível, que um dia se torna insustentável. 
Quando surge uma nova vítima a ser bajulada. 
Um novo interesse. 
Afetando e trazendo consequências para ambos. 

Desse sentimento, só nasce erva daninha,
nada se cultiva. 
O fruto é morto antes da colheita. 
Até o objetivo se cumprir, 
até a próxima meta. 
Haverá quedas e mais quedas...




quinta-feira, 6 de abril de 2017

A última taça


Arnaldo morreu. 
Repentinamente, enquanto degustava seu vinho de quarta-feira.  
Um ataque fulminante no coração o levou. 
Na sua sala, vestido com seu pijama velho e desbotado. 

A morte lhe passou a perna. 
O vaidoso Arnaldo nem ao menos se vestiu apropriadamente. 
Não teve chance. 
Se tivesse, vestiria sua melhor camisa para ocasião, pentearia os cabelos,
passaria perfume. 

A morte não pediu licença. 
Entrou e levou Arnaldo sem cerimônia. 
Esticado no chão da sala, torto e com o rosto no chão. 
Pernas desajustadas, foi assim encontrado por Marta, sua empregada. 
Sem vida, olhos esbugalhados. 

Cecília o viu logo depois. Ainda daquele jeito. 
Não o reconheceu. Era outro homem, não o seu irmão. 
Um trapo, jogado na sala de Arnaldo. 

Após ser recolhido, somente sobrou a taça. 
Intacta. 
Com aquele vinho Chinon pela metade. Era mesmo seu irmão. 
E ali ficou alguns dias, para Cecília alimentar suas lembranças. 

Do irmão solteiro que lhe dava conselhos e a ouvia nas noites de tristeza. 
Um souvenir do boêmio da Lapa. 
Manteve a taça no mesmo local, com o último gole de Arnaldo. 
O último prazer. A última taça. 
A morte não pede licença. 
Leva sem cerimônia. 

Stefan



terça-feira, 4 de abril de 2017

A estrada dos sonhos


A estrada é o caminho, 
para um sonho distante. 
Que se aproxima pouco a pouco, 
a um passo determinante. 

Perder é ganhar, 
com outra perspectiva no olhar. 
Não é fácil se adequar, 
ao caos que é ter que lutar. 

O mundo tentará te dissuadir, 
te fazer chorar. 
Força para os dias de batalhas,
pois a vida é um equilíbrio no fio da navalha. 

A vida é uma estrada de sonhos,
que rompe o marasmo de um dia banal.
Somente os corajosos,
saberão traçar o caminho ideal. 

Stefan

segunda-feira, 3 de abril de 2017

A vida deve ser baseada em curtidas?

Cena da série Black Mirror

Com o advento das redes sociais, a interação passou a ser medida por meio de curtidas.
As curtidas elevam a autoestima, mudam um estado de espírito de ruim para bom ou até mesmo para ótimo. Determinam "amizades".
Algumas pessoas são tão dependentes das curtidas que se as não tiver em número abundante perdem o dia. Simplesmente não funcionam.
A curtida do facebook ou o coraçãozinho do instagram se transformaram numa espécie de termômetro de popularidade/emocional entre os jovens. Muitos podem negar, mas existe. E neste ponto me refiro aos jovens em relação a maturidade e não somente a faixa etária. Há jovens maduros e adultos infantis, que se tornam velhos depressivos.

A série Black Mirror tem um episódio que apresenta um contexto futurístico preocupante, onde tudo é baseado em curtidas. Desde alugar um carro, até comprar uma passagem de avião. Uma vida exposta em falsidades. A personagem principal tem que ser 24h por dia extremamente simpática com todos que se relaciona. Se tiver um momento de transparência perde pontos e tudo se baseia numa enorme competição por um status grandioso. Chega a ser patético.

Ninguém é perfeito e sempre está de bem com a vida, sorrindo e sendo a pessoa mais legal do mundo. A vida tem altos e baixos. Tem uma enorme capacidade de nos deixar para baixo. Mas na série se você tem um momento de tristeza ou de raiva deve se esconder. As relações comerciais mais básicas são baseadas em curtidas. Será que é isto que o futuro nos reserva? Espero que não.
Mesmo assim sou obrigado a dizer que muitas pessoas estão mais preocupadas com as curtidas das redes sociais, que se apagarão de um dia para o outro, do que com as realizações mais importantes da vida.

O escritor Oscar Wilde disse: "Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe". 
O mundo virtual é um mundo falso. A linda garota da foto pode ser uma depressiva entre quatro paredes. O belo rapaz, um desajustado que se droga. Mas, não no mundo virtual. Todos são perfeitos neste mundo. E são reféns.
O algo a mais deve existir. A beleza acaba. Surgirão jovens mais belas (os). Mais curtidas (os). Momentaneamente, até surgir outras (os).
Dorian Gray só existe no livro. As rugas surgirão e a velhice tem o seu lugar. Como disse certa vez Nelson Rodrigues aos jovens, em uma entrevista a Otto Lara Resende: Envelheçam!
Talvez um envelhecimento na maturidade seria a mensagem que Nelson quis transmitir. Um conselho que só a vida e os anos percorridos proporcionam.
Com o passar dos anos, quem tem um cérebro funcional passa a querer agregar conhecimento, ler os clássicos, ter uma vida de mais valor e menos fútil. Embora, não todos. Nem sequer a maioria.

A publicitária Paula Trabulsi disse que prefere ser inteligente a ser bela. Por que? Porque a beleza acaba e a inteligência permanece. E para alguns nem isto.

As curtidas são tão efêmeras quanto uma vida vazia.
Stefan




domingo, 2 de abril de 2017

O vazio existencial de um corpo que só envelhece


Um novo dia surge e é um dia a menos no calendário da vida, 
eis que as escolhas estão na mesa. 
O que fazer? 
Aprender algo ou apenas seguir com o mesmo roteiro padrão? 

O roteiro padrão é o que a maioria faz.
Ser alvo de canais abertos que reforçam o quanto é importante não ter voz. 
Permanecer estático diante do futuro. 

Transformar o fim de semana num monumento resumindo-o a um copo de cerveja. 
Os mesmos restaurantes, a mesma poltrona do futebol, a mesma novela.
Torcer para a semana passar o mais rápido possível, 
para repetir com exaustão o modus operandi.

Ler para quê? Estudar já foi o tempo. 
É assim o pensamento de muitos, é assim que os políticos querem que as coisas aconteçam. 
De balada em balada, o circo momentâneo e a venda nos olhos.
Uma rotina sacal, sem um livro para abrir caminhos, 
sem algo que desperte o cérebro para novas ideias. 

E o corpo envelhece. 
E chega a idade como um carrasco,
que ceifa a existência. 
Uma existência vazia ou relevante? 
Ainda há tempo de escolher. 

Stefan