Colunista dos veículos: Jornal Correio da Cidade, Jornal Voz Ativa. Sou mineiro, professor universitário há oito anos, jornalista, fã de quadrinhos, amante da sétima arte, seguidor leal da boa música e resolvi seguir o caminho que Sócrates fez na cidade de Delfos. Conhecer a mim mesmo e aos mistérios do mundo através da Filosofia. Postarei assuntos diversos nesta página. Espero que gostem!
segunda-feira, 15 de maio de 2017
Haters: entre o ódio e a covardia
Na sociedade atual dois mecanismos servem de meios para disseminação do ódio e da raiva: o carro e o computador.
Motoristas são agressivos nos seus veículos diante do trânsito caótico. Já os haters são vorazes atrás do computador. Muitos se escondem em perfis falsos e utilizam deste mecanismo para disseminar o ódio pelo vasto mundo da internet. Para quem não conhece, hater "é um termo usado na internet para classificar pessoas que postam comentários de ódio ou crítica sem muito critério".
É o que mais existe atualmente. Pessoas do nosso próprio facebook são intolerantes a opiniões contrárias e destilam seu ódio. Em tempos de política e lava jato no Brasil nem se fala. Se a pessoa é de esquerda, de direita ou de centro vai ter que lidar com os haters de plantão. Que falam um monte de bobagem sem fundamentos.
Que se consideram os sabichões, mas não abrem um livro para ler, não se instruem e no fundo são mais massa de manobra do que imaginam.
Umberto Eco disse "As redes sociais deram o direito à palavra a legiões de imbecis que, antes, só falavam nos bares, após um copo de vinho e não causavam nenhum mal para a coletividade".
É o que ocorre com frequência. Essa pluralidade de opiniões infundadas, é um mar de lama que assola a população. O pior é quando se destinam a destruir uma pessoa. É muita falta do que fazer e excesso de imbecilidade.
A onda de bolsonáticos é assim, os coxinhas que só enxergam defeitos no PT também são outra classe de haters. Os esquerdopatas que só enxergam corrupção na direita também são outro grupo de fanáticos. Acaba que vira um empurra-empurra de acusações e no fundo está difícil encontrar um bom candidato para as próximas eleições.
Chega a ser doentio. Uma pessoa que se esconde atrás de um perfil falso para propagar sua raiva deveria se internar. É, sem dúvida, um ato de covardia. Esses também são assassinos, bandidos, fascistas.
Já os que não se escondem deveriam ser menos radicais, pois na política brasileira tudo pode acontecer. O caos já se instalou em todos os níveis e a corrupção exala por todos os lados, inclusive na própria sociedade.
Encerro com uma frase de Alexandre Dumas: "O orgulho de quem não pode construir é destruir".
Stefan
domingo, 14 de maio de 2017
A vida sem literatura é vazia
É de se admirar as pessoas que notam um ipê em seu auge, algumas até tiram fotos.
A natureza faz um belo trabalho com as flores e as pétalas que deixam no asfalto.
Admiro as pessoas que contemplam o céu, as estrelas e a lua.
Em cidades grandes é cada vez mais difícil uma contemplação na selva de pedra, no mar de tecnologia e fios de tensão.
Aplaudo os que reservam um tempo para um filme mais reflexivo e sem uma série de explosões a cada segundo como recurso de prender a atenção.
Venero quem lê, pois a leitura afasta o indivíduo da ignorância. Olhar letrinhas em uma página é castigo para muitos, quase um insulto aos ignorantes.
Como diria Nelson Rodrigues: "De gente burra só quero vaias".
Não dá pra avaliar por baixo. Um país SUB será sempre SUBdesenvolvido sem a cultura da leitura.
A poesia é o despertar da sensibilidade da alma. A arte literária é a estética do texto somada a emoção que arremata o leitor no início, meio e fim.
Se a natureza faz um belo espetáculo diariamente, assim como os animais e seus instintos, o ser humano também é parte de tudo. Nos livros, na música, na interpretação cênica, ou na simples capacidade de se emocionar com a vida. Ele aqui está.
A literatura se faz presente nas pequenas coisas desde os diálogos, até na grandiosidade dos romances. E talvez, ela tem salvado o mundo. Agindo na história, na memória e nas representações. Salvando o mundo dos ignorantes, dos gananciosos que desmatam e matam, oposição feroz aos que destroem e nada constroem. Dos que a ignoram e não a percebem.
Hitler não percebeu a literatura quando uma garotinha lhe entregou uma flor. Apenas fingiu. Se percebesse, a história talvez seria outra.
E parafraseando Raul Seixas: no início, no fim e no meio está você!
Stefan
quinta-feira, 11 de maio de 2017
Abaixo a responsabilidade! Que falta faz el provocador! Homenagem a Abujamra
Aaai de mim! Como um clamor inicio este texto. Uma ode a Abujamra! Um gemido grego, característica de suas aberturas. Assim iniciava Provocações.
Há dois anos ele nos deixou. Antônio Abujamra, o maior provocador do Brasil. Um pessimista nato. Com seus suspensórios e língua afiada. Como dizia para seus entrevistados, a única coisa falsa do programa era seu abraço no final.
Que saudade do Mestre Abujamra! Como queria conhecê-lo. Mas, ele se foi. E tanta gente chata poderia ter ido no seu lugar. Tanto político corrupto e logo ele se foi.
Um programa que deveria ser tombado! Meu consolo é que existe o Youtube e eu posso assistir inúmeras vezes sua entrevista maravilhosa com o Mestre Rubem Alves. A maior entrevista da história da TV! Todo educador tem obrigação de assistir (acesso no link abaixo).
A segunda maior, sem dúvida, foi a belíssima entrevista com Elza Soares. Magnífica. Que transparência em seu relato!
Entrevistou pensadores contemporâneos como Clóvis de Barros Filho, Luis Felipe Pondé, Mario Sergio Cortella.
Outros nem tão interessantes. Mas Abujamra era um verdadeiro provocador. Iluminava as coisas. Declamava poemas de Fernando Pessoa, Oscar Wilde, Mário Quintana, Veríssimo, Drummond, entre outros clássicos! Em sua voz os textos ganhavam mais vida!
E o que é a vida? Perguntava sempre no encerramento para todos.
O que é a vida?! Insistia.
O que é a vida?
Que provocação!
Stefan
Assista!
Entrevista Rubem Alves:
Entrevista Elza Soares:
segunda-feira, 8 de maio de 2017
Cristo e datas mercadológicas
Todos somos alvos das datas comerciais e é quase heresia não fazer parte deste ciclo mercadológico alucinante.
Coelhinho da Páscoa que trazes pra mim.. um ovo, dois ovos, três ovos e Jesus já perdeu seu verdadeiro sentido no meio do chocolate.
O Natal, que simboliza o nascimento de Cristo, foi remodelado para atender certas necessidades. Primeiramente, Jesus não nasceu em dezembro. What?? Sério isso?
Sim, muito sério. A data real do nascimento de Cristo é uma incógnita. Há quem defenda que ele nasceu em abril, mas ninguém chegou a um dado comprovado cientificamente.
Trecho retirado de uma reportagem da Superinteressante: "Uma das hipóteses com maior número de defensores entre os estudiosos do tema sugere que, em algum momento do século 4, a Igreja fixou a comemoração no dia 25 de dezembro com a intenção de suplantar o antigo – e muito popular – festival pagão do Sol Invicto, que ocorria mais ou menos na mesma época do ano e era pretexto para comilanças homéricas".
Além de comilanças, presentes e mais presentes. E um velhinho carismático chamado Papai Noel surgiu depois. Mais um amiguinho para Jesus. Consumo e mais consumo a vista.
E nesta época tem sempre um carente nas empresas que dá ideia de amigo oculto. O Boticário adora essas pessoas. Haja sacolas de Hering, Cacau Show e Boticário neste período do ano. Haja abraços falsos nas empresas!
Mas o pior não é vender. O pior é se sentir obrigado a participar de algo.
O que não é espontâneo não tem valor. O pior é se sentir cobrado para atender protocolos sociais no meio destas datas mercadológicas.
O pior é o sentido vazio que reside em um presente e não em um abraço verdadeiro e em cartões prontos que o sujeito nem complementa com uma mensagem própria.
A memória desvirtuada que se perpetuou perde seu sentido no meio do turbilhão de ofertas.
Stefan
domingo, 7 de maio de 2017
Sou contra tradições religiosas baseadas no sofrimento
O escritor Rubem Alves disse certa vez, em uma das melhores entrevistas da história da TV brasileira no programa Provocações (apresentado pelo saudoso Antônio Abujamra), que muitas pessoas tem uma visão equivocada de Deus, como um ser sádico e cruel. "Deus se deleita quando vê os homens sofrendo. Muitos agem como fosse desta forma. E é por isso que as pessoas religiosas quando fazem promessas só usam artifícios como subir 400 degraus de joelhos, ou coisas do gênero. Ninguém oferece coisas boas para Deus do tipo ler um poema do Fernando Pessoa todos os dias pelas manhãs, para alcançar uma benção.
Esse pensamento de Rubem Alves nos faz refletir sobre muitas coisas, a começar pelo sentido da vida. Será mesmo que estamos aqui vivendo um purgatório?
Há religiões que interferem em detalhes da vida pessoal como assistir televisão ou o que assistir na televisão. Esse discurso que transforma Deus em uma entidade punitiva assume um papel extremo em algumas religiões fazendo com que indivíduos com grande capacidade de pensamento se bloqueiem e sejam completamente influenciados.
Nos tempos medievais quem pensava diferente era torturado e até queimado vivo em uma fogueira. A maior subversão era pensar. E muitos antepassados diziam com frequência a frase: Não pense muito porque você vai ficar louco.
Realmente pensar requer uma responsabilidade maior e nem todos tem esta capacidade, porém somente pensando conseguirão evoluir.
O grande mal que nos assola é fruto das escolhas do próprio homem repleto de imperfeições que julga, é preconceituoso, não tem moral e veste uma máscara para a sociedade, e não para Deus.
Talvez, esses são os piores e mais atrasados. O livre-arbítrio é a maior das leis.
Quem só planta coisa ruim um dia terá uma colheita surpresa.
Culpe Deus enquanto é conveniente. Mas, eu penso que Deus quer mesmo é que todos se levantem e sigam no propósito do bem.
A tradição religiosa baseada no sofrimento é mais um ato autopunitivo do que o Senhor Onipotente nos olhando com crueldade.
Deus é Amor.
Stefan
quinta-feira, 4 de maio de 2017
Queluz - um nome!
Com todo respeito ao jurista que dá nome à minha cidade, Lafayette Rodrigues Pereira, mas Queluz era um nome lindo.
Vila Real de Queluz, mais precisamente, foi o nome do município, criado em 1790.
Lembro de minhas conversas com o saudoso museólogo, Antônio Perdigão, na época da faculdade. Ele dizia que no passado as correspondências eram trocadas entre a Queluz de Minas e a Queluz paulista. Uma confusão danada.
E assim, em 1934 Queluz virou Lafayette, Conselheiro Lafaiete. Até o Lafaiete sofreu mudanças.
Confesso, prefiro a poesia, simplicidade e riqueza do nome Queluz. Inclusive, a praça mais bela da cidade mantém o nome Queluz, Praça Barão de Queluz. As famosas violas de Queluz, símbolos de um tempo.
Gostaria que a cidade respirasse mais cultura e história, mas é fato que muita coisa se perdeu.
Descasos e omissões de administrações passadas com o patrimônio, que muito perdeu de sua história. Assim como em vários municípios brasileiros que crescem desenfreadamente e sem planejamento. Lafaiete não foge a regra.
Analisando fotos do passado, que sobreviveram ao tempo graças a muitos moradores cuidadosos, é notável as mudanças e descaracterizações. Casarões perdidos, alguns em total desmanche no centro da cidade.
Mas, ainda há belezas naturais. Ipês que florescem no meio de algumas casas que carregam suas histórias e ainda sobrevivem.
Moradores que carregam a poesia, a música e a arte em suas almas queluzianas.
Queluz, você ainda vive no coração de muitos.
Stefan
segunda-feira, 1 de maio de 2017
O ganancioso se fartou dos 7 pecados até morrer
Donato, o bom vivant para muitos,
mas que não sabia seu limite.
Quem vive a 200 km por hora não sabe desacelerar,
tem que ganhar sempre, se acostuma com os louros individuais e falsos.
E quando não se dá bem, arranja um jeito de prejudicar alguém.
Vaidoso com seu terno,
passando por cima dos outros, com seu sorriso malicioso.
Uma fachada para o mal,
o ser humano e sua ganância maior que a ambição.
A ambição é natural, todos querem crescer,
mas a ganância é gula.
É inveja que se transforma em ira,
é preguiça do esforço justo,
é soberba desmedida,
é luxúria que não alcança o prazer,
é avareza que se perde com os anos junto com a riqueza que também se vai.
Assim foi Donato,
fez de tudo para se promover.
Falsas amizades, lambeu o chão de todos os seus superiores,
se fez de bom moço, deu conselhos aos desavisados,
criou intrigas, traiu seus próximos,
e subiu, subiu, subiu...
Um dia estava no topo,
e quando se viu no espelho pensou que era um deus.
Mas, no mesmo instante se fartou.
Queria mais e não tinha o mais.
Olhou novamente no espelho e se fartou de si mesmo.
Nem Donato se aguentava mais.
Estava farto, cheio, rico.
Olhou para trás e percebeu que não tinha mais ninguém,
nem a si mesmo.
Stefan
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